Distribuir cabazes de
alimentos em vez de refeições já feitas "é mais dignificante"
Avaliação é
do presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, Lino
Maia.
Lusa
24 de
Janeiro de 2017, 12:35
Para o
presidente da CNIS esta mudança "é oportuna" e "um passo
significativo" Paulo Pimenta
O presidente
da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) considera, em
declarações à Lusa, “uma boa medida” a substituição das cantinas sociais por
distribuição de cabazes alimentares, afirmando que é “mais dignificante” para
as pessoas poderem confeccionar refeições em casa.
A secretária
de Estado da Segurança Social, Cláudia Joaquim, anunciou que o Governo vai
substituir o modelo de cantinas sociais, que funcionam em instituições sociais,
pela distribuição de cabazes alimentares aos mais carenciados, recorrendo a
fundos comunitários. Um relatório de
avaliação conhecido nesta terça-feira sobre o funcionamento destas cantinas arrasa
o programa criado pelo anterior Governo e recomenda que este termine, mas
apenas quando estiver disponível um instrumento alternativo de apoio alimentar.
Para o presidente da CNIS, Lino Maia, esta mudança "é oportuna" e
"um passo significativo", na medida em que não acaba com as cantinas
sociais, mas proporciona que as pessoas possam cozinhar em casa. "As
cantinas sociais continuarão a ser uma resposta para quem não tem condições
para fazer a própria refeição". Já quem pode confeccionar a sua própria
refeição, "e precisar, receberá alimentos", explicou.
A
distribuição de
alimentos será feita através do Fundo Europeu de Auxílio às Pessoas Mais
Carenciadas (FEAC) e irá beneficiar cerca de 60 mil pessoas. Os
beneficiários vão receber cabazes alimentares, que integram na sua composição carne,
peixe e legumes congelados, com o objectivo de cobrir as suas necessidades
nutricionais diárias em 50%, adiantou Cláudia Joaquim.
Fazendo um balanço das cantinas sociais, uma medida do Programa de
Emergência Alimentar, apresentado em 2011 pelo anterior Governo, Lino Maia
considerou que foi "uma medida importante de emergência", que a CNIS
apoiou. "Havia muitos casos de pessoas que (...) pela pobreza envergonhada
ou porque estavam em situação de muita fragilidade precisavam de ter uma refeição
e foi uma garantia que ninguém ficou com fome ou sem acesso a uma refeição bem
confeccionada e bem servida", sublinhou. Contudo, "era um programa de
emergência, situado no tempo, não era para se eternizar", frisou.
Para o presidente da CNIS, "é mais dignificante que quem pode
confeccionar a refeição o faça", porque também é uma maneira de a pessoa
"se ir valorizando". Sobre os números da frequência de cantinas
sociais, Lino Maia disse que foram "mudando de ano para ano".
"Os acordos de cooperação são mais amplos, mas, na realidade, não estão
mais de 50 mil pessoas a frequentar diariamente as cantinas sociais",
frisou.
O relatório de avaliação das cantinas sociais, feito a pedido do Ministério
do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, aponta que mais de 90% dos
beneficiários consumiram menos de duas refeições por dia nestes refeitórios e
72% levaram a refeição para consumir em casa.